Acredito
A crédito
Acre dito
terça-feira, 2 de outubro de 2012
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Químicas
Qual injusta esta natureza
tão afeita a prata, ouro e cobre.
O que dizer do pobre do astato,
do esquecido polônio? - que veio da Polônia?
Talvez.
É. Parece broma.
Se mesmo o níquel vale mais do que o hélio
Como retirar oxigênio do potássio?
Sim. É preciso ter cálcio.
É preciso ser zircônio neste mundo nióbio e molibdênio.
Ó, metais que rutênios,
Aluminai!
tão afeita a prata, ouro e cobre.
O que dizer do pobre do astato,
do esquecido polônio? - que veio da Polônia?
Talvez.
É. Parece broma.
Se mesmo o níquel vale mais do que o hélio
Como retirar oxigênio do potássio?
Sim. É preciso ter cálcio.
É preciso ser zircônio neste mundo nióbio e molibdênio.
Ó, metais que rutênios,
Aluminai!
Mora na Filosofia
A casa da Filosofia é azul; a casa da História é verde. Não é que ambas não se pareçam, uma vez que contêm móveis semelhantes. Ocorre, porém, que por terem cômodos de igual tamanho e fachada ao mesmo estilo, podem confundir alguns desavisados que por ali se perdem. Alguns as conhecem bem, as duas; outros preferem apenas uma das instalações, e por isso ignoram o funcionamento da outra, o que não é de modo algum absurdo. Cada lugar tem um cheiro, uma vibração, uma história, uma filosofia, uma cor. O feng shui do conhecimento é mesmo um tanto complicado, pois consiste em botar cada objeto no seu lugar: pantufas de comunista na sapateira em mogno do quarto, pastilhas dialéticas hegelianas ao centro, marxistas à esquerda da despensa. O Amor pertence à Filosofia, enquanto a luta é um objeto da HIstória. Todavia, tais pertenças não indicam que não possa haver empréstimos, ao contrário: dentre as combinações possíveis, a que mais chama atenção - pela sua beleza de monumento - é a do Amor na casa da História, especialmente quando posto ao lado da Luta-objeto. História e Filosofia atestam o vigor e a profundidade de uma longeva amizade entre vizinhos.
Ritos, rituais
"Susa havia lido no 'Banquete' que para ser feliz era preciso amar o Belo, o que certamente agradou à sua consciência libriana. Suponho que deva ter sido um gozo semelhante ao que Pedro, dignamente sujo, sentiu ao ler os 'Contos de escárnio' de Hilda Hilst, 'O erotismo' de Bataille ou mesmo o 'Vigiar e Punir' foucaultiano, quando descreve as torturas."
terça-feira, 10 de abril de 2012
O gênio que virou pó
Cessai de badalar, ó, sinos
Pois é chegada a hora em que o gênio
Criatura esparsa no mundo, gênese
E molécula da substância
Clama dos deuses a atenção
Chama o derradeiro fio de vida capitulando
E desce desce desce
Dançando para baixo agarrado a um tecido
Cessai de badalar, a hora final chegou
O apagar das luzes, sublime cor do avesso
Estende o seu calor, inverno.
Cessa de cogitar, criatura, este rio não corre
Como o fazia em Lamego. Já Caronte veio
Para saudá-lo, senhor de Si, e tua palavra cai
E sobe e ondeia e ladeia
Pois de tua voz sobra, rabo de lagartixa,
O gênio.
Pois é chegada a hora em que o gênio
Criatura esparsa no mundo, gênese
E molécula da substância
Clama dos deuses a atenção
Chama o derradeiro fio de vida capitulando
E desce desce desce
Dançando para baixo agarrado a um tecido
Cessai de badalar, a hora final chegou
O apagar das luzes, sublime cor do avesso
Estende o seu calor, inverno.
Cessa de cogitar, criatura, este rio não corre
Como o fazia em Lamego. Já Caronte veio
Para saudá-lo, senhor de Si, e tua palavra cai
E sobe e ondeia e ladeia
Pois de tua voz sobra, rabo de lagartixa,
O gênio.
Assinar:
Postagens (Atom)